sexta-feira, 19 de junho de 2009

La belle de jour

Eu sou muito mais do que isso que você vê,
mais que pele, pelos,olhos, nariz, boca
sou feito de matéria metafísica
sou metáfora de repentista
eu sou o domingo que já nasce azul e quente
que já nasce pronto
eu sou olinda, das ladeiras, da saudade
das flores coloridas imersas nas saias balançando com o vento e com a descida da ladeira
o perfume de alfazema, o beijo doce da menina
as flores nos cabelos
os abraços inundados de saudade
eu sou o amor e amo tanto, que tenho saudade do que ainda não vivi
e mais ainda do que vivi,e morro de prazer ao saber que nunca deixarei de viver os domingos azuis
um batalhão inteiro de ébrios honrosos e amáveis poetas que dão mais de si do que o mundo é capaz de devolver que fazem de suas palavras uma doação, de parte do que se sente
de tudo que se sente
e que ainda acham pouco e inventam sentimentos e sentidos
e sentem pelos outros, o dos outros
eu sou luz! porque nunca vou me perder das tardes de domingos azuis
e nunca vou deixar de amar o mundo muito, muito mais que a mim.

ps: eu amo as pessoas.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Para ler ouvindo anos dourados, de chico,mas com betânia.

-...

-...

A gente roda, roda, e acaba sem assunto.

A gente se perde, cada um nos seus devaneios.

A gente se perde, e os nossos delírios se encontram, em algum ponto.

Tu vai de novo?
Não sei...

Nem eu quero saber. Eu já quis muito que você nunca fosse. Hoje eu entendo, e até quero que vá. desde que prometa um dia me deixar te olhando imaginando o que pensas, sem nunca conseguir adivinhar.

Eu prometo.

Na dúvida, o risco!

Sempre o risco, não me guardo, nem me privo...a humanidade inteira caminha pro caos, pra babilônia em chamas, pro apocalipse, e pior...acho isso tudo muito gostoso...

E quando me olha assim? quem te deu o direito de fazer tudo isso, que eu nem sei oque, só de me olhar?
quando me olha assim, de um jeito que eu nem sei, nem nunca saberia propor uma explicação,

quando faz esse silêncio que faz o maior barulho dentro de mim...

eu fico pensando, pensando nas coisas que esse silêncio me diz...


Ps: Chico, você é um gato, tem olhos lindos ,tá bem conservadinho e escreve super. mas eu prefiro um funk até o chão. tem dó. banha-te ó rosto em lágrimas. hahaha

Ps2: Esse blog parece livro de auto-ajuda pra mulher encalhada que 'ainda sonha em casar' como diz minha mãe à respeito da professora do meu irmão que eu espero não ter acesso à internet. HAHAHAHA

sábado, 2 de maio de 2009

Nunca mais a primavera.


-Eu quero alguém.
Alguém que me olhe com os olhos puros de ardor e de desejo
que deite suavemente meus cabelos sobre os lençóis
e que eu possa sorrir tão sinceramente quanto eu posso respirar,
e que em seguida eu vá embora sem nunca conseguir esquecer o cheiro daquelas paredes
me chamando praquele calor,
e aquela luz entrando pela brecha das cortinas amarelas cheirando à lavanda
E nem era primavera,
nunca mais será primavera.
Eu não tenho medo de nada.
Muita coisa me assusta, mas eu já não tenho medo de nada,
quando a gente não tem medo, a gente fica forte, e perde os motivos de ter medo.
Eu sou forte, não perco nada, e minto pro medo.
Que eu possa ir,e que a saudade nunca possa me assombrar
ainda que eu sonhe em voar,
e eu vou voltar.
Sem medo da saudade.
Nunca mais será primavera,
mas eu sempre vou ter aquela tarde e aquelas cortinas,
por que eu não tenho medo de nada,
nunca mais será primavera,


por que a primavera mora em mim,
e eu já nem moro mais em mim.






ps: eu até tento jogar lama, areia, grude, no amor, mas ele me persegue.

terça-feira, 17 de março de 2009

Nos ais.

Caríssimos,

por vezes sinto,
como se me perdesse de mim,
e ao sair pela madrugada
atravessar a ponte úmida da noite
e me deparar com os pescadores do cais,
me encontro
e me perco,
na luna,
e nos ais.

quarta-feira, 4 de março de 2009

Jorginho e sua vida enredo de rock fuleiro II


Prometi a mim mesma que só colocaria os pés neste recinto se fosse pra escrever
jorginho,só prometi porque sabia que lembraria fácil fácil dele.
Dedicado a
FRED CAJU,por todas as vezes que nos encontramos ele 'estar' jorginho,por ele ser muito jorginho,e por me pedir sempre pra reescrever jorginho,que havia morrido com o lombrasdavida.
ah,e por beber pitu em garrafa de picthulinha,tal qual tenho certeza que jorginho faria.



Jorginho só foi jorge augusto por duas vezes: na certidão de nascimento,e na de óbito.
'É jorginho,porra!' falava cuspindo pra quem queria ou não ouvir.
Perdeu-se a conta das vezes que levou pontos na cabeça ou engessou braços e pernas, sua mãe acreditava cegamente que tudo isso se dava devido ao fato de ter fumado quando grávida,bem capaz,dependendo do que ela tenha fumado então...
Enquanto isso jorginho ouvia sempre de seu pai 'jorge augusto,vai estudar pra vencer na vida!' e respondia de forma sagaz: 'vencer na vida,painho
? e é guerra é? nessa vida,eu quero é me perder!'
Era muito mesmo ovelha negra da família,enquanto seus irmãos se estapeavem por carrinhos e bolas de gude,ele passava tardes inteiras conversando com a janela da sala,sua vó quando via,faz depressa o sinal da cruz e exclama um 'misericórdia' que fazia jorginho quase morrer de tanto rir.
Jorginho nunca foi muito de estudar,seu negócio era mesmo com marx e freud,ele gostava muito de ir à escola,era divertido roubar o lanche de todo mundo,e se lhe pedissem um gole do seu refrigerante,ele dava uma boa cuspida dentro do copo e dizia sorrindo: 'toma!'
Ah,jorginho de chamar os palavrões mais cabeludos e quase enfartar vovó com isso,
de seduzir a empregada,
de cair bêbado na rua,
dos amigos loucos,
de casar-se cinco vezes e declarar com orgulho que todos os seus casamentos deram muito certo,mas que sempre foi caminhãozinho de menos para as areias alheias.
O sonho da vida de jorginho era ser dono de um SEBO,desses de livros usados, 'sebo meu filho? sonhe pelo menos em ter uma livraria!' seu pai não entendia,mas jorginho achava que livros lidos eram como mulheres já amadas,tinham mais 'experiência'...
Apesar de ébrio habitual,
porra-louca de porre,
não havia uma só pessoa que não amasse a jorge augusto,
era naturalmente apaixonante em sua acidez,
era ao mesmo tempo impossível de entender,
foi intenso em tudo que fez,em tudo disse,em tudo que sentiu,
porque jorginho era mesmo um poeta,
porque viveu e amou,não como você e eu,
mas viveu e amou com a alma,
como só os poetas são capazes de fazer!


Eu tive o prazer de conhecer jorginho,por que ele morou muito na minha cabeça,e vai continuar morando,mas agora vocês tem o prazer de conhecê-lo,e de deixar ele morar um poquinho em vocês,também.


quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Cabelos em meio flores no lençol.

Hoje meu silêncio te diz,menina,
tudo aquilo que as palavras emudecem.
Hoje meu silêncio te fala,menina,
todos os sons que o medo cala.
Hoje meus braços te negam,
os dizeres que os olhos já me cegam,
e meus beijos menina,
calam todos teus desejos.

Aquele lençol,
o travesseiro de cetim,
a cama posta,
a seda,
o perfume do sabonete,
cabelos em meio flores no lençol.

Mas hoje não,menina,
hoje eu troco toda nossa paixão,
por um adeus no portão,
e toma aqui esse anel,
que já me aperta muito os dedos,
pega nosso retrato,e deixa na gaveta,
e deixa-me ir,
e deixa-me perder,
e deixa-me entregar meu querer
pro bem querer que menos me merecer,
pro bem querer que silencie todas as minhas dúvidas,
e que eu deseje por tudo,voltar pros teus lençóis.

Mas guarda,menina,

o travesseiro,a ceroula e acerola,
guarda,meu chapéu,minha cartola,
a carteira do meu cigarro preferido,
aquele sonho contido,
o beijo escondido,
e deixa a cerveja sempre gelada,

que tu serás sempre a minha amada,
bota a mesa,
põe a cama,
se perfuma,
e bota sempre aquele meu vestido preferido,
e assim como o teu sorriso,
não ouse usá-lo com mais ninguém.
que eu vou,é doído

que eu vôo,mas eu volto,
volto pra aquela moça bela,
pra aquela casa amarela,
e toda nossa casa será nosso mundo,
e depois do adeus mais mudo,
sussurarei,menina,
aqueles versos de vinícius apenas em tem ouvido.

ps1: machista,né? se fosse pra mim eu picotava na cara.
ps2:alguém mais tá roendo as unhas e arrancando os cabelos com essa reforma ortográfica?
eu sempre fui boa em ditado,pô,que injusto,a pessoa depois de véia.deprimi,total.
ps3: caros poucos leitores,eu não consigo escrever respeitando rima e métrica nenhuma,vai de bolo mesmo,até porque : "é melhor escrever para si mesmo e não ter público do que escrever para o público e não ter a si mesmo" (Cyril Connoly)
ps4: eu não faço a menor de quem é Cyril Connoly,fia.
ps5: muito amor e pouca lama nesse recinto!

sábado, 29 de novembro de 2008

Santo bêbado dum carnaval.

Arrasa,o meu projeto de vida,
santo bêbado dum carnaval.
Carne viva,
seringa,
fogueira num vendaval.

Palavras fugitivas num discurso,
e muda o curso num leito dum rio,
lava o sal do mar,
tira as nuvens pra lavar,
abre pétala por pétala,
e as devolve quando o sol se dissipar.

Prato uno dum vagabundo,
id pisoteando ego num samba de fevereiro.
Poder ludibriante de um político,
ante um povo sem lembranças.

Rasga o jornal,e bebe o último gole do café,
fuma pontas num cinzeiro,
bate porta,
leva a rede,
muda o curso de uma história.

Arrasa com meu projeto de vida,
és última gota de sangue na revolução,
és o último suor da construção.