Chuva, vem me abraçar
Terra doce que espera paciente
Vida que vibra fértil
Ora suspira
Ora releva
Vida que vibra medita calmamente
Atrai a gravidade
derrama as águas
Que as nuvens teimam em carregar
Mostrando a força que só a leveza tem
Nuvem de chumbo?
Nuvem de algodão!
quinta-feira, 17 de outubro de 2013
sexta-feira, 19 de abril de 2013
Olha pra dentro, poeta!
Descobristes um desejo azul
num jardim de girassóis
e um caminho de flamboyants sangrentos
que na verdade sempre viveram dentro de ti.
Descobristes um poeta
Ernesto, Pablo, Affonso,
de palavras vivas!
que dependem só de si para vibrarem
num papel amassado
ou num livro de capa dura dourado
sempre viveram dentro de ti.
Fostes também mulher:
Inês, Íris, Lia, Madalena,
todas elas de canto doce
de doce encanto
fortes tal qual Rosário
livres tal Frida Kahlo,
amantes líricas, Florbela...!
Todas aí, dentro desse sangue
nessas veias
nestes olhos
nesses braços e abraços.
Sempre esteve a sua janela
um pássaro a bater todas as manhãs
e porque não me dizes a que veio, perguntavas...
e o porque, eu vos digo:
porque a resposta sempre morou em ti.
Olhe pra dentro, poeta!
para de esperar
o dia de ser
porque já és poeta a pulsar
porque poeta já nasce imortal, forte,
insano no amor, bravo no viver, e faz do seu ofício sonhar.
Vive a vida de todos os seres que lhe encantam, poeta
todos eles juntos num só ser.
Outras quais, inventas, poeta!
Involuntariamente, incessantemente, porque de outro modo o poeta não sabe ser
!!!!!!!!!!!!!!!!!!
num jardim de girassóis
e um caminho de flamboyants sangrentos
que na verdade sempre viveram dentro de ti.
Descobristes um poeta
Ernesto, Pablo, Affonso,
de palavras vivas!
que dependem só de si para vibrarem
num papel amassado
ou num livro de capa dura dourado
sempre viveram dentro de ti.
Fostes também mulher:
Inês, Íris, Lia, Madalena,
todas elas de canto doce
de doce encanto
fortes tal qual Rosário
livres tal Frida Kahlo,
amantes líricas, Florbela...!
Todas aí, dentro desse sangue
nessas veias
nestes olhos
nesses braços e abraços.
Sempre esteve a sua janela
um pássaro a bater todas as manhãs
e porque não me dizes a que veio, perguntavas...
e o porque, eu vos digo:
porque a resposta sempre morou em ti.
Olhe pra dentro, poeta!
para de esperar
o dia de ser
porque já és poeta a pulsar
porque poeta já nasce imortal, forte,
insano no amor, bravo no viver, e faz do seu ofício sonhar.
Vive a vida de todos os seres que lhe encantam, poeta
todos eles juntos num só ser.
Outras quais, inventas, poeta!
Involuntariamente, incessantemente, porque de outro modo o poeta não sabe ser
!!!!!!!!!!!!!!!!!!
quinta-feira, 7 de março de 2013
sexta-feira, 18 de janeiro de 2013
''A gente já mente no gene''
A mente,
por mais estranho
e incrível
que nos pareça
não nos mente
um só desejo
não nos esconde
uma só lembrança
não nos escapa
um só pensamento
a mente
ironicamente
é a única parcela de nós
que jamais mente
a mente é bicho solto
escondido nas paredes do crânio
é rio represado no olhar
não mente
nem se deixa enganar
comum mente
absoluta mente
antiga mente
normal mente
mas a mente, jamais!
quinta-feira, 29 de novembro de 2012
traz e traga
Um transeunte
e seu tabaco
que fuma, traz, e traga,
e ao fim
o lança ao asfalto
e o vento amigo
que não traz, mas traga,
e o leva.
e seu tabaco
que fuma, traz, e traga,
e ao fim
o lança ao asfalto
e o vento amigo
que não traz, mas traga,
e o leva.
quinta-feira, 11 de outubro de 2012
Uno no verso, universo.
Sartre diz: a angústia
é fruto da nossa consciência de finitude
Pra mim é tudo culpa
da primeira explosão cósmica
que nos rompeu, partiu,
dividiu em milhares de partículas
e nos encheu de uma
necessidade infinita de completude
Uma bomba de estrelas
que nos tornou matéria e nos desafia
todo os dias a crer que
ainda somos todos um, uno no verso,
juntos no ventre do
universo.
Nosso trauma vem do
parto primeiro!
Da galáxia que nos cuspiu aqui.
Vivemos numa intensa e
verdadeira busca por completude, autoconhecimento,
compreensão!
Liberdade! Igual a que tínhamos na placenta do espaço...voando,
dançando, em perfeita
sintonia, em perfeita harmonia, em equilíbrio e paz.
Prontos pra
conhecer um planeta por aqui, uma estrela cadente por lá...
dormir na
lua e acordar nos anéis de saturno.
Nossa angústia não é
tema pra psicanálise,
é tema pra astrônomo.
quinta-feira, 19 de julho de 2012
Chuva no sertão
O mistério da semente,
o mistério da flor.
Da chuva que vem sem marcar data,
da terra fértil embaixo dos nossos pés.
o mistério da flor.
Da chuva que vem sem marcar data,
da terra fértil embaixo dos nossos pés.
Tempos secos no sertão,
da alma ou da mente,
e aquela vontade de dizer
só de dizer,
exprimir, semear,
um tal de não se sabe bem o que,
nem como ou porque.
Voa leve, passarinho,
pousa aqui em minha mão,
mas me mostra como eu faço
pra falar pro povo todo
a festa que que tu fazes em meu coração!
Chove fruto,
pousa ao solo,
cajus amarelos,
adoçam a boca da moça
do vestido de chita,
da flor no cabelo,
e aurora no olhar.
Que venham tempos de colheita!
da nova safra de palavras
até então guardadas no solo da alma,
em gestação ansiosa do nascer.
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